25 janeiro 2011

TEMPO QUE PASSA

Dei-me conta do tempo em que não deposito as palavras sobre a tela...A cabeça insiste em juntá-las, mas a vida faz com que sejam apenas tal qual borra de café. O pensamento é mais rápido do que o teclado, do que a pena. Pena! É a vida passando pela janela, mostrando por vezes paisagens nem sempre agradáveis, outras verdejantes como uma tarde de primavera. Quisera ter a mesma rapidez com os dedos que tenho com as idéias, quando as letras casam-se e formam palavras, por vezes sentenças inteiras, nem sempre com eira e beira. Quisera dedilhar uma guitarra como quem toca no corpo amado... A ponta dos dedos produzinho o orgástico.

Palavras não escritas, não ditas, enferrujam a alma, são malditas. As palavras cuspidas tornam o coração quiçá mais leve, formam alentos, constroem ventanias que aplacam o calor.

Outrora viciada em grafite, ou mesmo na caneta 'bic', tenho esquecido de juntar palavras. Tenho transformado os desenhos apenas num 'quem sabe', abortando-os antes mesmo de fecundarem, suprimindo idéias e vontades. Esqueço de mim mesma, o branco do papel engole vorazmente qualquer ideal. A tela vazia do espaço cibernético torna-se de repente o receptáculo de idéias disformes e famintas que brotam das entranhas do ser.

Quero ser grande, quero ser livre, quero isso e quero aquilo... Pelo menos por força das palavras me permito certa alforria. Voar é bom. Já diziam por aí que quem tem os dois pés no chão não sai do lugar... Quero mais é viver de folia, quem sabe morar numa 'follie' num parque de cubos vermelhos... Quero o topor da fumaça do cigarro alheio, viajar nos desenhos das nuvens deitada num parque qualquer ao sol de um inverno bem frio. Queria ver um concerto do Led, falar com o Jim... Querer sempre o impossível é uma ótima maneira de justificar os fracassos e respeitar a lentidão.

Fantasia, sonha, vive!

Não esquece de tornar-te a que vieste!