29 julho 2005

AUSÊNCIAS...

Por que estou melancólica... O texto abaixo achei assim, por acaso... Caiu a ficha. Cresci. Penso que sim. Mas como é duro, o desapego, a ausência assimilada. É quase um não sentir. Ainda fica quase um não lembrar... Pensei que cresci. Achei que morri!

Ausência - Carlos Drummond de Andrade
Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada,
aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

28 julho 2005

EM UMA TARDE ASSIM... ETÉREA...

Do alto da colina meus dedos tocam a ponta do céu
Miro o horizonte
Acerto em vertical

Vertigo
Vertigem
Vertiginosamente a mente vai como os pássaros rápidos
Me roubam a alma
Vai o corpo
Despenco às pencas...

Me tenho em cóleras... Cólicas... Cócegas...
A alma entende e pede mais
Sorrisos reconfortantes de uma tarde meio quente, meio fria, meio assim
Etérea...

A RÃ

Nem sei mais se sei se sou sã...
Só sei que sou só tal qual a santa
Solta no altar
Sem saber se é sã ou rã...
- Viro tua fã -
Lanço a mente torpe em insanidades dementes
Dormentes...
Carentes do teu querer
Tal qual o ente que pede a mão
Tem fome do teu olhar
Doente do amor insano que não tem
Mas que teima em desejar...

POP SIM


Imitando a pop arte, querendo ser gente grande...

GATA PRETA


A tal da Gata Preta...

COCAMILA


Vai uma Cocamila ae? Fiz de presente prá Mimila...





ARME-SE OU AME-SE...

Em relação ao plebiscito do desarmamento e em resposta a um mail de um amigo, saiu o texto abaixo... E viva a diversidade cultural e de opiniões...


Eu apóio o desarmamento!!!
Ou pelo menos, parte dele. Acho que a polícia tem que estar - e bem - armada. Acho que não é da alçada do cidadão dito 'de bem' fazer a segurança da sociedade. Eu não quero que meu país vire um "faroeste caboclo", apesar de muitos locais estar assim!!! Deveríamos ter nossas autoridades para isso.
Tanto para os vagabundos, ladrões, homicidas, seqüestradores e etc, quanto para os ditos "cidadãos do bem" que empunham uma arma para fazer justiça com as próprias mãos ou para em prol de "defender a sociedade", defender não o coletivo, mas simplesmente seus próprios interesses e preconceitos. Não consigo conceber que se combinem 'bem' com 'arma'!!!
Quisera eu poder viver em um mundo completamente sem armas, em que todas as pessoas fossem solidárias umas às outras, que não houvesse violência!!!
Quisera eu que nosso mundo fosse absolutamente seguro para criarmos nossos filhos. Utópico, muitos poderão dizer... Mas muitas das armas dos homicidas, ladrões, seqüestradores e etc vieram das "famílias de bem", roubadas... Até mesmo vendidas.
E quantas foram as vítimas de acidentes com armas, ou de brigas de trânsito? A arma estava à mão, é fácil puxar o gatilho. Isso, ninguém fala.
É muito mais cômodo querermos nos armar do que exigir competência de nossas autoridades para nossa segurança, mas eu ainda acredito que este caminho, por mais tortuoso que seja, seja o mais autêntico e seguro.
Acho que para portar uma arma, o cidadão tem que primeiro provar que está apto a tal, que tem o caráter necessário, o autocontrole necessário. Isso existe, mas é raro! EU prefiro deixar esta conta para a polícia pagar. Não esta nossa polícia corrupta e mal paga, sem equipamentos e condições de trabalho, mas uma polícia muito bem paga, com armamento de primeira e de caráter. Isso sim eu acho uma causa justa. E quero lutar por esta causa, mas para isso, eu não preciso de armas. EU APÓIO UMA POLÍCIA BEM PAGA, BEM EQUIPADA, BEM PREPARADA!
E penso ser esta questão de desarmamento apolítica, sem nada ter a ver com qualquer partido que seja, mesmo que o partido em questão esteja metido em uma lama sem fim, assim como todos os outros.
Ainda acredito que violência se faz com violência e paz se combate com paz, apesar de ser o caminho mais difícil e demorado.

[Este texto é apenas uma elucubração bem pessoal. Por acreditar em uma democracia e na diversidade de opiniões, achei por bem postá-lo]

DIVAGANDO SOBRE CINEMA

- Sou uma adoradora de bons filmes... Me considero leiga. Abaixo, apenas um desabafo... -

É CINEMA?!

É duro perceber a condição do cinema brasileiro atual. Em um país de tantos talentos passados, Glauber, Domingos de Oliveira, Arnaldo Jabor e outros mais, parece que o cinema pelo cinema, pela paixão, pelo idealismo, cedeu lugar ao capitalismo selvagem apenas por ele mesmo.
É claro que depois de um período negro em que nada se produziu e que a atividade no ramo era quase nula, temos uma produção incomparável, mas a que preço? Até mesmo o tão incensado cinema gaúcho parece estar deixando se levar pelo papel de cinema de mercado. Onde estão os profissionais que há apenas algumas décadas nos faziam inquietos diante das telas? Será que foram sepultados com Glauber? Onde está aquele idealismo do fazer, da paixão, da criatividade por novos rumos? Com muito menos recurso tecnológico, muito menos dinheiro, o Cinema Novo encantou e inquietou o mundo, o que prova que para fazer um bom cinema é de muito mais valia o talento. Por onde andam nossos valiosos profissionais se não na tela de nossas TV’s, fazendo às vezes de comentaristas?
Que os bons ventos passados do velho Cinema Novo nos arrebatam novamente.

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Estanque.
Parado ao largo, com passos tortos, torpes...
- Tentava -
- Levantava -
- Divagava -
Devagar, saía em busca de outro, outra...
Viagens desconexas
A pedra, parada, estanque
Havia lá, estava láHavia, apenas [a duras penas]

PEGANDO EMPRESTADO...

- Este texto me caiu nas mãos através de um curso com o Zé Adão, maravilhoso. Não o conhecia, mas agradeço porque muitas vezes, ele é a mais pura verdade. Aproveitem... -


EU SEI, MAS NÃO DEVIA (Marina Colassanti)

E sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.A gente se acostuma a morar no apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.

VÍCIO

Vivo em dores, dissabores
Vivo a vida, vivo a morte
Vivo amores
Vida em cortes
Vivo vícios
Meretrícios
Vício em amar-te!
Vivo a vida em teimosia
Teimosia de te ter
Saciando teu prazer
Vivo vícios
Doces vícios dos teus beijos
Por vícios sempre querendo
Que te vicies em me querer...

ESTAÇÃO

Entre folhas secas de outono
Gritos, ladainhas...
Enquanto berro, chega o inverno...
Desenrolo então novelos de lã
Bebo o vinho, tinto
E Continuo mentindo
Como que num sussurro
Que quando a primavera vier,
Todos os dias serão um verão
Iluminados e felizes como têm de ser
O ser...

VERTE O VÉRTICE

Fere e verte sangue
Ateia fogo...
Flerta!
Arde em infernos
Produz tufões
Calafrios... Que frio!
Há corredeiras
Corre rios
Ri
Sente o vento frio
Arrepia
Engana a mente
Desencanta
Destrói a razão
Sem razão de ser...
Desencana...

VAGOS DESVARIOS

Teus desvarios vários
Vagas idéias
Várias lembranças
Vários vagos sonhos
Várias bacantes
Variando em teus pensamentos
Deixo-te em sonhos desvairados
Vagos rios... Sorrio... Desvario vago!
Há vagas...

TRILHA

Certas trilhas me deixam etérea...
Do éter da memória
Embriago-me em desejos
Fico aérea...
Desperto sonhos
Recordo pesadelos
Trilho meus caminhos .
Entre paredes mudas
Esquinas cruas consomem meu ser
Descarrilho trilhos de prazer
Desatino.

BEIJO

Insana espera
Esperança doida
Desejo ardente
Do teu beijo quente

PECADO

O fogo imola a alma
O pecado destrói o corpo
A alma quer o pecado
E a boca, doce veneno do corpo
Deseja o beijo ardente
Do pecado da carne
E do teu ventre quente!

PAGÃ

Pagã
À toa, atéia
Plebéia na veia... Véia
À toa na vida
No ato, no fato...
De fato, o ato ata nosso olhar
E nos desata em prazeres...