Finalmente vi Sin City... Há horas estava afoita para ver...
Fiquei realmente impressionada. Por vezes me senti dentro de um quadrinho do Frank Miller. Os personagens têm a alma HQ, seus olhares, suas roupas, seus gestos, caras e bocas, numa direção competente e primordial.
Na direção de arte, os cenários, os figurinos, o clima, tudo é um quadrinho em movimento. Das HQ's que foram parar no cinema, é a primeira vez que o papel entra na tela de forma tão contundente.
Para os affcionados é um prato cheio. Vai virar cult, com certeza.
Estão lá as mulheres fatais e autosufcientes, a mocinha indefesa que tem no seu herói, seu amante. Os cigarros, a traidora, as perseguições fantásticas de automóveis, os heróis invencíveis e os vilões, estes, para ninguém reclamar, fazendo as vezes de herói e bandido, com seus dramas de consciência e noção de justiça peculiares. Os bares sujos de um beco qualquer e mal iluminado. As lutas com toda a lingugem "quadrinística", sem muitos floreios, mas eficientes e fortes - diretas. A chuva é um personagem importante que aperece quando menos se espera, mas sem ela, muita coisa fica fora de lugar. Os carros são uma atração à parte, voam em suas perseguições em estradas curvas, mal iluminadas e molhadas. A perspectiva da cidade é algo a se notar: uma cidade que oprime, sombria, bem ao estilo HQ. O preto e o branco do quadrinho se transformam em luzes e sombras, virando um personagem do filme, como se a pena do nankim estivesse em ação. Nas cenas, resproduções fiéis de planos do papel agora em movimento. Na narração em off, palavras diretas. Este é outro mérito do filme: sabemos o que é necessário de forma clara, como se alguém estivesse nos contando um fato, uma conversa entre o telespectador e o personagem. O clima dos diálogos que lemos em uma vida agora em som, direto.
A única crítica negativa que eu faria é em relação ao roteiro. O achei pobre. Parece-me que a história fica se repetindo e só mudam os personagens. E o mundo de Sin City com certeza tem mais a nos oferecer do que isso.