LÁGRIMAS E SORRISOS
Acordei tal qual o dia, chuvoso, lacrimejoso... Despertei escorrida, corrida, num ritmo frenético e intenso quando tudo o que eu queria era um abraço apaixonado, um ser aninhado em meu corpo, talvez ter despertado de uma noite de sonhos carnais...
Deu vontade de ouvir Pink Floyd!
Afundar-me na poltrona mais próxima...
E fiquei pensando em algo que fiquei sabendo: amiga minha, muito querida, prefere passar o aniversário com seu namorado bicho do mato do que nos deixar chegar perto. De pronto, meu sangue ferveu, mas como assim?! Calhei de embestar e fazer beiço, escrever manifestos, levantar bandeiras, mas resolvi pensar um pouco a respeito do assunto... Pois bem, não é que esta amiga, querida, anda feliz aos 4 cantos do universo?! Seu namorado pode ter todos os defeitos do mundo mas, no momento, é a ele que ela dispensa suas maiores atenções e só de ver o sorriso estampado em seu rosto, me satisfaço. Eu, cheia de certezas e teorias, fico aqui com um sorriso amarelo de quem percebe o enganar-se.
E veio a velha e boa indagação: de que adianta termos uma vida regrada, lado a lado, matando um leão por dia, se a poesia se perde por entre os dedos? E não só a poesia, mas as coisas mais banais que se pode ter ou querer?! Não será melhor viver num mundo de incertezas e frivolidades mas com a possibilidade concreta de que sempre algo de novo acontecerá do que com a certeza de que a rotina é tão massacrante a ponto de tornar os relacionamentos tão quentes quanto um freezer ligado?
Sempre gostei de coisas sérias, certas, lineares... Esqueci que a poesia do viver por vezes não permite tanta certeza. Que talvez a rotina seja realmente a maior inimiga do descobrimento da felicidade dos seres. Distraí-me perdendo a vida por entre tantas certezas!
Vejo-me no centro de um redemoinho de emoções e não sei o que fazer com elas, pois minha vida se transformou em algo tão frio quanto o tal freezer... Tudo aquilo que renegava, tão diferente de tudo aquilo que realizei. Acabei armando a armadilha para mim mesma. Logo eu, que me vejo tão apaixonada pelas coisas, que brado aos sete cantos que sem paixão não há de se tocar nada. Chego à conclusão de que minha amiga tem razão: as surpresas de uma ligação não esperada, de um encontro não marcado, de um esbarro em alguém podem ser muito mais gratificantes e satisfatórias do que qualquer rotina sem sal, sem sexo, sem nexo, desconexo...
O finito anda perto demais ultimamente.
Tenho certeza de que ali, em algum lugar além do arco íris, há o pote de ouro dos meus sorrisos perdidos...
Só falta encontrar o mapa!

1 Comments:
pô a sm lisergia todo dia caiu na rotina?
:/
rotinatotalmentedesnecessáriaquandonãotecompleta.
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